Desânimo

 

 

“O desânimo é uma falta. Deus vos recusa consolações, desde que vos falte coragem.” O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO Capítulo 5º – Item 18.

Insidioso, de fácil propagação, tem caráter pandêmico.

Grassa com celeridade, entorpecendo sentimentos com força que aniquila a vida.

Inimigo desconsiderado fere em profundidade e se agasalha dominador em todas as criaturas a todo instante, sendo difícil de ser erradicado.

Com poder semelhante às viroses contagia mais do que a grande maioria das enfermidades comuns.

Conduz às dissipações, à loucura, ao crime.

Aqueles que lhe caem nas malhas, invariavelmente derrapam para os vales desesperadores dos estupefacientes, do suicídio.

Suas vítimas apresentam-no refletido no “fácies” característico, deprimente.

São mórbidas, indiferentes, perigosas.

Grande facção da humanidade sofre-lhe a ação deletéria.

Esse adversário soez e destruidor de multidões é o desânimo.

Companheiros da fé valorosos, desencorajados de prosseguirem, recuam.

Trabalhadores devotados, assinalados pelo sofrimento, estacionam. Serventuários da esperança, desiludidos, fogem. Mantenedores de tarefas socorristas, desajustados, param… sob o império do desânimo.

Prossegue tu!

Todos falam que recolheram, do labor a que se devotaram, espinhos rudes e rudes ingratidões.

Explicam, com argumentos injustificáveis, que a moral evangélica para o momento em que se vive não mais tem aplicação: está ultrapassada.

Creem que perderam o tempo, aplicado anteriormente na execução do programa divino, apresentado pelo Espiritismo.

São vítimas inertes do desânimo.

Sem explicações para se justificarem a si mesmos a fuga espetacular para com os deveres assumidos espontaneamente, acusam e acusam.

Não lhes dês ouvidos.

Amigos falam que não conseguem perseverar nos ideais fascinantes e severos da Doutrina dos Imortais.

Também tu.

Alguns reconhecem os erros e a inutilidade de lutarem contra as próprias deficiências.

Dá-lhes razão, pois que não é diferente o que ocorre contigo.

Outros esclarecem que tentaram seguir os postulados espiritistas, mas o tributo a oferecer é grande demais, em considerando as incertezas de que se encontram possuídos.

Concordas com eles ao auscultares o imo em tormentos múltiplos.

Eleva o padrão mental de tuas meditações.

Expulsa o tóxico letal que se infiltra sutilmente na tua organização espiritual.

Faze um exame dos que debandaram das fileiras do dever…

O desanimado é alguém que tombou antes do termo da jornada.

Reage com todas as forças e não possibilites “horas vazias” para se encherem de desesperanças nas províncias do teu pensamento.

Homens e mulheres, que lutaram em todos os tempos para construírem o ideal de felicidade humana, experimentaram o miasma pestilento desse sicário do espírito.

Reagindo, porém, e perseverando abrasados pelos empreendimentos começados, elaboraram o clima de esperança que muitos respiram, abençoados pelo sol de amor que os aquece.

Estuda o Evangelho e vive-o, embora não consigas avançar incorruptível. Se tombares no afã da verdade, recomeça. Se despertares ao peso de irrefreável fadiga, recomeça.

Se experimentares desespero porque demora a materialização dos teus anseios, recomeça.

O trabalho de valorização do bem é de recomeço e recomeço, porquanto cada passo dado na direção do objetivo é vitória alcançada sobre o terreno a vencer…

Quando o desânimo, investindo contra os teus propósitos superiores, situar o seu quartel na rotina das tuas atividades nobres, modifica o “modus operandi” e prossegue, renovado, combatendo nos painéis da mente essa vibração desagregadora transmitida por outras mentes que perseguem o Evangelho Redentor, desde há muito, e, exaltando a alegria do serviço em cada minuto de ação superior, destroça as armadilhas bem urdidas desse revel inimigo, alcançando a plataforma superior da glória de ajudar com desinteresse e amor.

FRANCO, Divaldo Pereira. Espírito e Vida. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. LEAL. Capítulo 28.

Aniversário de nascimento de Allan Kardec.

Allan Kardec
Nascido em Lyon, a 3 de outubro de 1804, de uma família antiga que se distinguiu na
magistratura e na advocacia, Allan Kardec (Hippolyte Léon Denizard Rivail) não seguiu essas
carreiras. Desde a primeira juventude, sentiu-se inclinado ao estudo das ciências e da filosofia.
Educado na Escola de Pestalozzi, em Yverdun (Suíça), tornou-se um dos mais
eminentes discípulos desse célebre professor e um dos zelosos propagandistas do seu sistema de
educação, que tão grande influência exerceu sobre a reforma do ensino na França e na
Alemanha. Foi nessa escola que lhe desabrocharam as idéias que mais tarde o colocariam na
classe dos homens progressistas e dos livre-pensadores.
Nascido sob a religião católica, mas educado num país protestante, os atos de
intolerância que por isso teve de suportar, no tocante a essa circunstância, cedo o levaram a
conceber a idéia de uma reforma religiosa, na qual trabalhou em silêncio durante longos anos
com o intuito de alcançar a unificação das crenças. Faltava-lhe, porém, o elemento
indispensável à solução desse grande problema. O Espiritismo veio, a seu tempo, imprimir-lhe
especial direção aos trabalhos.
Concluídos seus estudos, voltou para a França. Conhecendo a fundo a língua alemã,
traduzia para a Alemanha diferentes obras de educação e de moral e, o que é muito
característico, as obras de Fénelon, que o tinham seduzido de modo particular.
Era membro de várias sociedades sábias, entre outras, da Academia Real de Arras, que,
em o concurso de 1831, lhe premiou uma notável memória sobre a seguinte questão: Qual o
sistema de estudos mais de harmonia com as necessidades da época?
De 1835 a 1840, fundou, em sua casa, à rua de Sèvres, cursos gratuitos de Química,
Física, Anatomia comparada, Astronomia, etc., empresa digna de encômios em todos os tempos,
mas, sobretudo, numa época em que só um número muito reduzido de inteligências ousava
enveredar por esse caminho.


Entre as suas numerosas obras de educação, podem ser citadas: Plano proposto para
melhoramento da Instrução pública (1828); Curso prático e teórico de Aritmética, segundo o
método Pestalozzi, para uso dos professores e das mães de família (1824); Gramática francesa
clássica (1831); Manual dos exames para os títulos de capacidade; Soluções racionais das
questões e problemas de Aritmética e de Geometria (1846); Catecismo gramatical da língua
francesa (1848); Programa dos cursos usuais de Química, Física, Astronomia, Fisiologia, que
ele professava no Liceu Polimático; Ditados normais dos exames da Municipalidade e da
Sorbona, seguidos de Ditados especiais sobre as dificuldades ortográficas (1849), obra muito
apreciada na época do seu aparecimento e da qual ainda recentemente eram tiradas novas
edições.
Antes que o Espiritismo lhe popularizasse o pseudônimo de Allan Kardec, já ele se
ilustrara, como se vê, por meio de trabalhos de natureza muito diferente, porém tendo todos,
como objetivo, esclarecer as massas e prendê-las melhor às respectivas famílias e países.
Pelo ano de 1855, posta em foco a questão das manifestações dos Espíritos, Allan
Kardec se entregou a observações perseverantes sobre esse fenômeno, cogitando principalmente
de lhe deduzir as conseqüências filosóficas. Entreviu, desde logo, o princípio de novas leis
naturais: as que regem as relações entre o mundo visível e o mundo invisível. Reconheceu, na
ação deste último, uma das forças da Natureza, cujo conhecimento haveria de lançar luz sobre
uma imensidade de problemas tidos por insolúveis, e lhe compreendeu o alcance, do ponto de
vista religioso.
Suas obras principais sobre esta matéria são: O Livro dos Espíritos, referente à parte
filosófica, e cuja primeira edição apareceu a 18 de abril de 1857; O Livro dos Médiuns, relativo
à parte experimental e científica (janeiro de 1861); O Evangelho segundo o Espiritismo,
concernente à parte moral (abril de 1864); O Céu e o Inferno, ou A justiça de Deus segundo o
Espiritismo (agosto de 1865); A Gênese, os Milagres e as Predições (janeiro de 1868); A
Revista Espírita, jornal de estudos psicológicos, periódico mensal começado a 1º de janeiro de
1858.


Fundou em Paris, a 1º de abril de 1858, a primeira Sociedade espírita regularmente
constituída, sob a denominação de Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, cujo fim
exclusivo era o estudo de quanto possa contribuir para o progresso da nova ciência. Allan
Kardec se defendeu, com inteiro fundamento, de coisa alguma haver escrito debaixo da
influência de idéias preconcebidas ou sistemáticas. Homem de caráter frio e calmo, observou os
fatos e de suas observações deduziu as leis que os regem. Foi o primeiro a apresentar a teoria
relativa a tais fatos e a formar com eles um corpo de doutrina, metódico e regular.
Demonstrando que os fatos erroneamente qualificados de sobrenaturais se acham
submetidos a leis, ele os incluiu na ordem dos fenômenos da Natureza, destruindo assim o
último refúgio do maravilhoso e um dos elementos da superstição.
Durante os primeiros anos em que se tratou de fenômenos espíritas, estes constituíram
antes objeto de curiosidade, do que de meditações sérias. O Livro dos Espíritos fez que o
assunto fosse considerado sob aspecto muito diverso. Abandonaram-se as mesas girantes, que
tinham sido apenas um prelúdio, e começou-se a atentar na doutrina, que abrange todas as
questões de interesse para a Humanidade.
Data do aparecimento de O Livro dos Espíritos a fundação de Espiritismo que, até
então, só contara com elementos esparsos, sem coordenação, e cujo alcance nem toda gente
pudera apreender. A partir daquele momento, a doutrina prendeu a atenção de homens sérios e
tomou rápido desenvolvimento. Em poucos anos, aquelas idéias conquistaram numerosos
aderentes em todas as camadas sociais e em todos os países. Esse êxito sem precedentes
decorreu sem dúvida da simpatia que tais idéias despertaram, mas também é devido, em grande
parte, à clareza com que foram expostas e que é um dos característicos dos escritos de Allan
Kardec.
Evitando as fórmulas abstratas da Metafísica, ele soube fazer que todos o lessem sem
fadiga, condição essencial à vulgarização de uma idéia. Sobre todos os pontos controversos, sua
argumentação, de cerrada lógica, poucas ensanchas oferece à refutação e predispõe à convicção.
As provas materiais que o Espiritismo apresenta da existência da alma e da vida futura tendem a
destruir as idéias materialistas e panteístas. Um dos princípios mais fecundos dessa doutrina e
que deriva do precedente é o da pluralidade das existências, já entrevisto por uma multidão de
filósofos antigos e modernos e, nestes últimos tempos, por João Reynaud, Carlos Fourier,
Eugênio Sue e outros. Conservara-se, todavia, em estado de hipótese e de sistema, enquanto o
Espiritismo lhe demonstrara a realidade e prova que nesse princípio reside um dos atributos
essenciais da Humanidade. Dele promana a explicação de todas as aparentes anomalias da vida
humana, de todas as desigualdades intelectuais, morais e sociais, facultando ao homem saber
donde vem, para onde vai, para que fim se acha na Terra e por que aí sofre.
As idéias inatas se explicam pelos conhecimentos adquiridos nas vidas anteriores; a
marcha dos povos e da Humanidade, pela ação dos homens dos tempos idos e que revivem,
depois de terem progredido; as simpatias e antipatias, pela natureza das relações anteriores.
Essas relações, que religam a grande família humana de todas as épocas, dão por base, aos
grandes princípios de fraternidade, de igualdade, de liberdade e de solidariedade universal, as
próprias leis da Natureza e não mais uma simples teoria.
Em vez da fé cega, que anula a liberdade de pensar, ele diz: Não há fé inabalável, senão
a que pode encarar face a face a razão, em todas as épocas da Humanidade. A fé, uma base se
faz necessária e essa base é a inteligência perfeita daquilo em que se tem de crer. Para crer, não
basta ver, é preciso, sobretudo, compreender. A fé cega já não é para este século. É
precisamente ao dogma da fé cega que se deve o ser hoje tão grande o número de incrédulos,
porque ela quer impor-se e exige a abolição de uma das mais preciosas faculdades do homem: o
raciocínio e o livre-arbítrio.
Trabalhador infatigável, sempre o primeiro a tomar da obra e o último a deixá-la, Allan
Kardec sucumbiu, a 31 de março de 1869, quando se preparava para uma mudança de local,
imposta pela extensão considerável de suas múltiplas ocupações. Diversas obras que ele estava
quase a terminar, ou que aguardavam oportunidade para vir a lume, demonstrarão um dia, ainda
mais, a extensão e o poder das suas concepções.
Já não existe o homem. Entretanto, Allan Kardec é imortal e a sua memória, seus
trabalhos, seu Espírito estarão sempre com os que empunharem forte e vigorosamente o
estandarte que ele soube sempre fazer respeitado.
Uma individualidade pujante constituiu a obra. Era o guia e o fanal de todos. Na Terra,
a obra subsistirá o obreiro. Os crentes não se congregarão em torno de Allan Kardec; congregarse-ão em torno do Espiritismo, tal como ele o estruturou e, com os seus conselhos, sua
influência, avançaremos, a passos firmes, para as fases ditosas prometidas à Humanidade
regenerada.
Fonte: Obras Póstumas.

Biografia.

                                                                                       José Herculano Pires

José Herculano Pires nasceu na cidade de Avaré, no estado de São Paulo a 25/09/1914, e desencarnou na capital em 09/03/1979.

Filho do farmacêutico José Pires Correia e da pianista Bonina Amaral Simonetti Pires. Fez seus primeiros estudos em Avaré, Itaí e Cerqueira César. Revelou sua vocação literária desde que começou a escrever. Aos 9 anos fez o seu primeiro soneto, um decassílabo sobre o Largo São João, da sua cidade natal. Aos 16 anos publicou seu primeiro livro, Sonhos azuis (contos), e aos 18 anos o segundo livro, Coração (poemas livres e sonetos). Já possuía seis cadernos de poemas na gaveta, colaborava nos jornais e revistas da época, da província de São Paulo e do Rio. Teve vários contos publicados com ilustrações na Revista da Semana e no O Malho.

Foi um dos fundadores da União Artística do Interior (UAI), que promoveu dois concursos literários, um de poemas pela sede da UAI em Cerqueira César, e outro de contos pela Seção de Sorocaba. Mário Graciotti o incluiu entre os colaboradores permanentes da seção literária de A Razão, em São Paulo, que publicava um poema de sua autoria todos os domingos.

Transformou em 1928 o jornal político de seu pai em semanário literário e órgão da UAI. Mudou-se para Marília em 1940 (com 26 anos), onde adquiriu o jornal Diário Paulista e o dirigiu durante seis anos. Com José Geraldo Vieira, Zoroastro Gouveia, Osório Alves de Castro, Nichemaja Sigal, Anthol Rosenfeld e outros promoveu, através do jornal, um movimento literário na cidade e publicou Estradas e ruas (poemas), que Érico Veríssimo e Sérgio Millet comentaram favoravelmente.

Em 1946 mudou-se para São Paulo e lançou seu primeiro romance, O caminho do meio, que mereceu críticas elogiosas de Afonso Schmidt, Geraldo Vieira e Wilson Martins.

Repórter, redator, secretário, cronista parlamentar e crítico literário dos Diários Associados, são funções que exerceu na rua 7 de Abril por cerca de trinta anos.

Autor de 81 livros de filosofia, ensaios, histórias, psicologia, pedagogia, parapsicologia, romances e espiritismo, vários em parceria com Chico Xavier, sendo a maioria inteiramente dedicada ao estudo e divulgação da Doutrina Espírita. Lançou a série de ensaios “Pensamento da Era Cósmica” e a série de romances e novelas de “Ficção Científica Paranormal”.

Alegava sofrer de grafomania, escrevendo dia e noite. Não tinha vocação acadêmica e não seguia escolas literárias. Seu único objetivo era comunicar o que achava necessário, da melhor maneira possível. Graduado em Filosofia pela USP em 1958, publicou uma tese existencial: O ser e a serenidade. De 1959 a 1962, foi docente titular da cadeira de filosofia da educação na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara.

Foi membro titular do Instituto Brasileiro de Filosofia, seção de São Paulo, onde lecionou psicologia. Foi presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo de 1957 a 1959. Foi professor de sociologia no curso de jornalismo ministrado pelo Sindicato.

José Herculano Pires foi presidente e professor do Instituto Paulista de Parapsicologia de São Paulo. Organizou e dirigiu cursos de parapsicologia para os centros acadêmicos da Faculdade de Medicina da USP, da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, da Escola Paulista de Medicina e em diversas cidades e colégios do interior.<

Fundou o Clube dos Jornalistas Espíritas de São Paulo em 23/01/1948. O Clube funcionou por 22 anos.

Foi membro da Academia Paulista de Jornalismo, onde ocupou a cadeira “Cornélio Pires” em 1964, e pertenceu à União Brasileira de Escritores, onde exerceu o cargo de diretor e membro do Conselho no ano de 1964.

Exerceu ainda o cargo de chefe do Sub-Gabinete da Casa Civil da Presidência da República no governo do sr. Jânio Quadros, no ano de 1961, onde permaneceu até a renuncia do mesmo.

Espírita desde a idade de 22 anos, não poupou esforço na divulgação falada e escrita da doutrina codificada por Allan Kardec, tarefa essa à qual dedicou a maior parte da sua vida. Durante 20 anos manteve uma coluna diária sobre espiritismo nos Diários Associados, com o pseudônimo de Irmão Saulo. Durante quatro anos manteve no mesmo jornal uma coluna em parceria com Chico Xavier sob o título Chico Xavier pede licença.

Foi diretor fundador da revista Educação Espírita, publicada pela Edicel.

Em 1954 publicou Barrabás, que recebeu um prêmio do Departamento Municipal de Cultura de São Paulo, constituindo o primeiro volume da trilogia “A Conversão do Mundo”. Publicou em 1975 Lázaro e, com o romance Madalena, concluiu a trilogia.

Traduziu cuidadosamente as obras da codificação de Allan Kardec, enriquecendo-as com notas explicativas nos rodapés. Essas traduções foram doadas a diversas editoras espíritas no Brasil, Portugal, Argentina e Espanha. Colaborou ainda com o dr. Julio Abreu Filho na tradução da Revista Espírita de Allan Kardec.

Ao desencarnar deixou vários originais, que vêm sendo publicados pela Editora Paidéia.

Fundação Herculano Pires

ANIVERSÁRIO DE ADOLFO BEZERRA DE MENEZES


Apontamentos biobibliográficos

Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti nasceu em 29 de agosto de 1831
na fazenda Santa Bárbara, no lugar chamado Riacho das Pedras, município
cearense de Riacho do Sangue, hoje Jaguaretama, estado do Ceará.
Descendia Bezerra de Menezes de antiga família, das primeiras que
vieram ao território cearense. Seu avô paterno, o coronel Antônio Bezerra de
Souza e Menezes tomou parte da Confederação do Equador, e foi condenado à
morte, pena comutada em degredo perpétuo para o interior do Maranhão, e
que não foi cumprida porque o coronel faleceu a caminho do desterro, sendo
seu corpo sepultado em Riacho do Sangue. Seus pais, Antônio Bezerra de
Menezes, capitão das antigas milícias e tenente-coronel da Guarda Nacional,
desencarnou em Maranguape, no dia 29 de setembro de 1851, de febre amarela;
a mãe, Fabiana Cavalcanti de Alburquerque, nascida em 29 de setembro de
1791, desencarnou em Fortaleza, aos 91 anos de idade, perfeitamente lúcida,
em 5 de agosto de 1882.
Desde estudante, o itinerário de Bezerra de Menezes foi muito
significativo. Em 1838, no interior do Ceará, conheceu as primeiras letras, em
escola da Vila do Frade, estando à altura do saber de seu mestre em 10 meses.
Já na Serra dos Martins, no Rio Grande do Norte, para onde se transferiu
em 1842 com a família, por motivo de perseguições políticas, aprendeu latim
em dois anos, a ponto de substituir o professor.
Em 1846, já em Fortaleza, sob as vistas do irmão mais velho, o Dr.
Manoel Soares da Silva Bezerra, conceituado intelectual e líder católico, efetuou
os estudos preparatórios, destacando-se entre os primeiros alunos do
tradicional Liceu do Ceará.
Bezerra queria tornar-se médico, mas o pai, que enfrentava dificuldades
financeiras, não podia custear-lhe os estudos. Em 1851, aos 19 anos, tomou ele a
iniciativa de ir para o Rio de Janeiro, a então capital do Império, a fim de cursar
medicina, levando consigo a importância de 400 mil réis, que os parentes lhe
deram para ajudar na viagem.
No Rio de Janeiro, ingressou, em 1852, como praticante interno no
Hospital da Santa Casa de Misericórdia.
Para poder estudar, dava aula de filosofia e matemática. Doutorou-se em
1856 pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.
Em março de 1857, solicitou sua admissão no Corpo de Saúde do
Exército, sentando praça em 20 de fevereiro de 1858, como cirurgião tenente.
Ainda em 1857, candidatou-se ao quadro dos membros titulares da
Academia Imperial de Medicina com a memória “Algumas considerações sobre
o cancro, encarado pelo lado do seu tratamento”, sendo empossado em sessão
de 1º de junho. Nesse mesmo ano, passou a colaborar na “Revista da Sociedade
Físico-Química”.
Em 6 de novembro de 1858, casou-se com a Sra. Maria Cândida de
Lacerda, que desencarnou no início de 1863, deixando-lhe um casal de filhos.
Em 1859 passou a atuar como redator dos “Anais Brasilienses de
Medicina”, da Academia Imperial de Medicina, atividade que exerceu até 1861.
Em 21 de janeiro de 1865, casou-se, em segunda núpcias com Dona
Cândida Augusta de Lacerda Machado, irmã materna de sua primeira esposa,
com quem teve sete filhos.
Já em franca atividade médica, Bezerra de Menezes demonstrava o
grande coração que iria semear, até o fim do século, sobretudo entre os menos
favorecidos da fortuna, o carinho, a dedicação e o alto valor profissional.
Foi justamente o respeito e o reconhecimento de numerosos amigos que
o levaram à política, que ele, em mensagem ao deputado Freitas Nobre, seu
conterrâneo e admirador, definiu como “a ciência de criar o bem de todos”.
Elegeu-se vereador para Câmara Municipal do Rio de Janeiro em 1860,
pelo Partido Liberal.
Quando tentaram impugnar sua candidatura, sob a alegação de ser
médico militar, demitiu-se do Corpo de Saúde do Exército. Na Câmara
Municipal, desenvolveu grande trabalho em favor do “Município Neutro” e na
defesa dos humildes e necessitados.
Foi reeleito com simpatia geral para o período de 1864-1868. Não se
candidatou ao exercício de 1869 a 1872.
Em 1867, foi eleito deputado-geral (correspondente hoje a deputado
federal) pelo Rio de Janeiro. Dissolvida a Câmara dos Deputados em 1868, com
a subida dos conservadores ao poder, Bezerra dirigiu suas atividades para
outras realizações que beneficiassem a cidade.
Em 1873, após quatro anos afastados da política, retomou suas
atividades, novamente como vereador.
Em 1878, com a volta dos liberais ao poder, foi novamente eleito à
Câmara dos Deputados, representando o Rio de Janeiro, cargo que exerceu até
1885.
Neste período, criou a Companhia de Estrada de Ferro Macaé a Campos,
que veio proporcionar-lhe pequena fortuna, mas que, por sua vez, foi também
o sorvedouro dos seus bens, deixando-o completamente arruinado.
Em 1885, atingiu o fim de suas atividades políticas. Bezerra de Menezes
atuou 30 anos na vida parlamentar. Outra missão o aguardava, esta mais nobre
ainda, aquela de que o incumbira Ismael, não para o coroar de glórias, que
perecem, mas para trazer sua mensagem à imortalidade.
O Espiritismo, qual novo maná celeste, já vinha atraindo multidões de
crentes, a todos saciando na sua missão de consolador. Logo que apareceu a
primeira tradução brasileira de “O Livro dos Espíritos”, em 1875, foi oferecido
a Bezerra de Menezes um exemplar da obra pelo tradutor, Dr. Joaquim Carlos
Travassos, que se ocultou sob o pseudônimo de Fortúnio.
Foram palavras do próprio Bezerra de Menezes, ao proceder a leitura de
monumental obra: “Lia, mas não encontrava nada que fosse novo para meu
espírito, entretanto tudo aquilo era novo para mim […]. Eu já tinha lido ou
ouvido tudo o que se achava no Livro dos Espíritos […]. Preocupei-me
seriamente com este fato maravilhoso e a mim mesmo dizia: parece que eu era
espírita inconsciente, ou mesmo, como se diz vulgarmente, de nascença”.
Contribuíram também, para torná-lo um adepto consciente, as
extraordinárias curas que ele conseguiu, em 1882, do famoso médium receitista
João Gonçalves do Nascimento.
Mais que um adepto, Bezerra de Menezes foi um defensor e um
divulgador da Doutrina Espírita. Em 1883, recrudescia, de súbito, um
movimento contrário ao Espiritismo e, naquele mesmo ano, fora lançado por
Augusto Elias da Silva o “Reformador”, órgão oficial da Federação Espírita
Brasileira e o periódico mais antigo do Brasil, ainda em circulação. Elias da
Silva consultava Bezerra de Menezes sobre as melhores diretrizes a seguir em
defesa dos ideais espíritas. O venerável médico aconselhava-o a contrapor-se
ao ódio, o amor, e a agir com discrição, paciência e harmonia.
Bezerra não ficou, porém, no conselho teórico. Com as iniciais A. M.,
principiou a colaborar com o “Reformador”, emitindo comentários judiciosos
sobre o Catolicismo.
Fundada a Federação Espírita Brasileira em 1884, Bezerra de Menezes
não quis inscrever-se entre os fundadores, embora fosse amigo de todos os
diretores e sobremaneira, admirado por eles.
Embora sua participação tivesse sido marcante até então, somente em 16
de agosto de 1886, aos 55 anos de idade, Bezerra de Menezes, perante grande
público, em torno de 1.500 a 2.000 pessoas, no salão de Conferência da Guarda
Velha, em longa alocução, justificou a sua opção definitiva de abraçar os
princípios da consoladora doutrina.
Daí por diante Bezerra de Menezes foi o catalisador de todo o
movimento espírita na Pátria do Cruzeiro, exatamente como preconizara
Ismael. Com sua cultura privilegiada, aliada ao descortino de homem público e
ao inexcedível amor ao próximo, conduziu o barco de nossa doutrina por sobre
as águas atribuladas pelo iluminismo fátuo, pelo cientificismo presunçoso, que
pretendia deslustrar o grande significado da Codificação Kardequiana.
Presidente da FEB em 1889, ao espinhoso cargo foi reconduzido em
1895, quando mais se agigantava a maré da discórdia e das radicalizações no
meio espírita, nele permanecendo até 1900, quando desencarnou.
O Dr. Bezerra de Menezes foi membro da Sociedade de Geografia de
Lisboa, da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional, da Sociedade Físicoquímica,
sócio e benfeitor da Sociedade Propagadora das Belas-Artes, membro
do Conselho do Liceu de Artes e presidente da Sociedade Beneficente
Cearense.
Escreveu em jornais como “O Paiz”, redigiu “Sentinela da Liberdade”,
os “Anais Brasilienses de Medicina”, colaborou na “Reforma”, na “Revista da
Sociedade Físico-química” e no “Reformador”. Utilizava os pseudônimos de
Max e Frei Gil.
O dicionarista J. F. Velho Sobrinho alinha extensa bibliografia de Bezerra
de Menezes, relacionando para mais de quarenta obras escritas e publicadas.
São teses, romances, biografias, artigos, estudos, relatórios, etc.
Bezerra de Menezes desencarnou em 11 de abril de 1900, às 11h30min.,
tendo ao lado a dedicada companheira de tantos anos, Cândida Augusta.
Morreu pobre, embora seu consultório estivesse cheio de uma clientela
que nenhum médico queria; eram pessoas pobres, sem dinheiro para pagar
consultas. Foi preciso constituir-se uma comissão para angariar donativos
visando a possibilitar a manutenção da família. A comissão fora presidida por
Quintino Bocayuva.
Por ocasião de sua morte, assim se pronunciou Leon Denis, um dos
maiores discípulos de Kardec: “Quando tais homens deixam de existir, enlutase
não somente o Brasil, mas os espíritas de todo o mundo”.
Fonte: Texto incluído nas obras que integram a Coleção Bezerra de
Menezes, publicada pela FEB.

Dia da Caridade.

Dia da Caridade é comemorado anualmente em 19 de julho. Esta data tem o objetivo de conscientizar as pessoas sobre a prática e difusão da solidariedade, como um meio para desenvolver um bom entendimento entre todos os seres humanos.

No Brasil, oficializado pela Lei nº 5.063, de 4 de julho de 1966. A data tem o intuito de celebrar e enaltecer a solidariedade e o sentimento de altruísmo entre os brasileiros em auxílio aos menos favorecidos. Mundialmente, a caridade é celebrada no dia 5 de setembro, em homenagem à data de desencarnação de Madre Teresa de Calcutá.

O que é a caridade? Essa é uma pergunta que muitos se fazem. E que muitas vezes pode ser confundido com outras atitudes. A caridade é muito mais do que dar um prato de comida a quem tem fome. É importante pensar que Caridade não é dar aos outros o que te sobra, mas sim, o que poderá te fazer falta.

Segundo definição dada pelos dicionários, a caridade é um sentimento ou uma ação altruísta de ajuda a alguém sem busca de qualquer recompensa. A prática da caridade é notável indicador de elevação moral e uma das práticas que mais caracterizam a essência boa do ser humano, sendo, em alguns casos, chamada de ajuda humanitária. Termos afins: Amor ao próximo; bondade; benevolência; indulgência; perdão; compaixão.

A caridade é uma das qualidades mais defendidas pela maioria das religiões, que insistem que a principal definição de caridade é “amar e ajudar ao próximo”.
A Caridade Segundo São Paulo:

“6 – Se eu falar as línguas dos homens e dos anjos, e não tiver caridade, sou como o metal que soa, ou como o sino que tine. E se eu tiver o dom de profecia, e conhecer todos os mistérios, e quanto se pode saber; e se tiver toda a fé, até a ponto de transportar montanhas, e não tiver caridade, não sou nada. E se eu distribuir todos os meus bens em o sustento dos pobres, e se entregar o meu corpo para ser queimado, se todavia não tiver caridade, nada disto me aproveita. A caridade é paciente, é benigna; a caridade não é invejosa, não obra temerária nem precipitadamente, não se ensoberbece, não é ambiciosa, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo tolera, tudo crê, tudo espera, tudo sofre. A caridade nunca jamais há de acabar, ou deixem de ter lugar às profecias, ou cessem as línguas, ou seja abolida a ciência.
Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e a caridade, estas três virtudes; porém a maior delas é a caridade”. (Paulo, I Coríntios, XIII: 1-7 e 13).

Entre as atividades mais frequentes no Dia da Caridade, destaca-se a visita aos lugares onde a tristeza, pobreza e pessoas necessitando de carinho e atenção sejam presentes. Asilos, hospitais, casas de misericórdias, orfanatos e presídios são alguns exemplos.

E no O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec no capítulo XV explica sobre que fora da Caridade Não Há Salvação:

O que é preciso para ser salvo. Parábola do bom Samaritano
1. Ora, quando o filho do homem vier em sua majestade, acompanhado de todos os anjos, se assentará no trono da sua glória; e todas as nações estando reunidas diante dele, separará uns dos outros, como um pastor separa as ovelhas dos bodes, e colocará as ovelhas à sua direita, e os bodes à sua esquerda.
Então o rei dirá àqueles que estarão à sua direita: Vinde, vós que fostes benditos por meu pai, possuí o reino que vos foi preparado desde o início do mundo; porque eu tive fome e me destes de comer; tive sede e me deste de beber; tive necessidade de alojamento e me alojastes; estive nu e me vestistes, estive doente e me visitastes; estiveste na prisão e viestes me ver”.

Segundo Fábio Souza Santos (conhecido como Levi), palestrante e comunicador na Rádio Boa Nova, no programa Juventude Maior, a Caridade é você se desprender de todo o egoísmo, orgulho e vaidade e se permitir a trocar experiências com àqueles que passam por alguma dificuldade e precisam de ajuda. Ele Acredita que ambos aprendem e ensinam neste processo.

Quando questionado sobre a difícil missão de exercitar a caridade ele afirma que culpamos a falta de tempo, condições financeiras e até mesmo a própria falta de oportunidade para exercitar a caridade. Quando a maior dificuldade é a conscientização que podemos contribuir de várias formas com as pessoas.

 

Momento mais difícil?

Levi conta que a caridade, é caridade no momento que se pratica de maneira espontânea:

 

“Na hora em que você tem que sair da zona de conforto e ir de encontro ao que realmente precisam. Fazer  a caridade sem pensar nas recompensas e benefícios que a ação pode gerar. Quando você faz as coisas, independente de ser caridade ou não, torna-se um ato de amor. Na verdade, nem notamos que isso é caridade porque fazemos naturalmente”, ensinou Levi.