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    Aviso

    16 de março de 2012

    Está sendo procurado.
    Homem considerado galileu.
    Trinta e três anos.
    Pele clara e expressão triste.
    Cabelos longos e barba maltratada.
    Marcas sanguinolentas nas mãos e nos pés.
    Caminha habitualmente acompanhado de mendigos e vagabundos, doentes e mutilados, cegos e infelizes.
    Onde aparece, frequentemente, é visto, entre grande séquito de mulheres, sendo algumas de má vida, com crianças esfarrapadas.
    Quase sempre está seguido por doze pescadores e marginais.
    Demonstra respeito para com autoridades, determinando se dê a Cesar o que é de Cesar, mas espalha ensinamentos que é contrário à Lei antiga, como sejam:
    - o perdão das ofensas;
    - o amor aos inimigos;
    - a oração em favor daqueles que nos perseguem ou caluniam;
    - a distribuição indiscriminada de dádivas com os necessitados;
    - o amparo aos enfermos, sejam eles quais forem;
    - e chega ao cúmulo de recomendar que uma pessoa espancada numa face ofereça a outra ao agressor.
    Ainda não se sabe se é um mágico, mas testemunhas idôneas afirmam que ele multiplicou cinco pães e dois peixes em alimentação para mais de cinco mil pessoas, tendo sobrado doze cestos.
    Considerado impostor por haver trazido pessoas mortas à vida, foi preso e espancado.
    Setenciado à morte, com absoluta aprovação do próprio povo, que o condenou, de preferência à Barrabás, malfeitor conhecido, recebeu insultos e pedradas, sem reclamar, quando conduzia a cruz às costas. Não se ofendeu, quando questionado pela Justiça, complicando-se-lhe a situação, porque seus próprios seguidores o abandonaram nas horas difíceis. Sob afrontas e zombarias, foi crucificado entre dois ladrões.
    Não teve parentes que lhe demonstrassem solidariedade, a não ser sua Mãe, uma frágil mulher que chorava aos pés da cruz.
    Depois de morto, não se encontrou lugar para sepultá-lo, senão doloroso recanto de túmulo por favor de um amigo.
    Após o terceiro dia do sepultamento, desapareceu do sepulcro e já foi visto por diversas pessoas que o identificaram pelas chagas sangrentas dos pés e das mãos.
    Esse homem que está sendo cuidadosamante procurado.
    Seu nome é Jesus de Nazaré.
    Se puderes encontrá-lo, deves segui-lo para sempre.

    Maria Dolores

    psicografado por Francisco C. Xavier – Grupo Espírita “Os Mensageiros”

     


    Mãos Enferrujadas

    15 de março de 2012
     
     
     
     
     
    Quando Joaquim Sucupira abandonou o corpo, depois dos sessenta anos, deixou-nos conhecidos a impressão de que subiria incontinenti aos Céus. Vivera arredado do mundo, no conforto precioso que herdara dos pais. Falava pouco, andava menos, agia nunca.
    Era visto invariavelmente em trajes impecáveis. A gravata ostentava sempre uma pérola de alto preço, pequena orquídea assinalava a lapela e o lenço, admiravelmente dobrado, caía irrepreensível, do bolso mirim. O rosto denunciava-lhe o apurado culto às madeiras distintas. Buscava, no barbeiro cuidadoso cada manhã, renovada expressão juvenil. Os cabelos bem postos, embora escassos, cobriam-lhe o crânio com o esmero possível.
    Dizia-se cristão e, realmente, se vivia isolado, não fazia mal sequer a uma formiga. Assegurava, porém, o pavor que o possuía, ante os religiosos de todos os matizes. Detestava os padrões católicos, criticava as organizações protestantes e categorizava os espiritistas no rol dos loucos. Aceitava Jesus a seu modo, não segundo o próprio Jesus.
    As facilidades econômicas transitórias adiavam-lhe as lições benfeitoras do concurso fraterno, no campo da vida.
    Estudava, estudava, estudava…
    E cada vez mais se convencia de que as melhores diretrizes eram as dele mesmo. Afastamento individual para evitar complicações e desgostos. Admitia, sem rebuços, que assim efetuaria preparação adequada para a existência depois do sepulcro. Em vista disso, a desencarnação de homem tão cauteloso em preservar-se, passaria por viagem sem escalas com o destino à Corte Celeste.
    Dava aos familiares dinheiro suficiente para aventuras e fantasias, a fim de não ser incomodado por eles; distribuía esmolas vultosas, para que os problemas de caridade não lhe visitassem o lar; afastava-se do mundo para não pecar. Não seria Joaquim – perguntavam amigos íntimos – o tipo religioso perfeito? Distante de todas as complicações da experiência humana, pela força da fortuna sólida que herdara dos parentes, seria impossível que não conquistasse o paraíso.
    Contudo, a responsabilidade que o defrontava agora não correspondia à expectativa geral.
    Sucupira, desencarnado, ingressava numa esfera de ação, dentro da qual parecia não ser percebido pelos grandes servidores celestiais. Via-os em movimentação brilhante, nos campos e nas cidades. Segredavam ordens divinas aos ouvidos de todas as pessoas em serviços dignos. Chegara a ver um anjo singularmente abraçado à velha cozinheira analfabeta.
    Em se aproximando, todavia, dos Mensageiros do Céu, não era por eles atendido.
    Conseguia andar, ver, ouvir, pensar. No entanto – desventurado Joaquim! – as mãos e os braços mantinham-se inertes. Semelhavam-se a antenas de mármore, irremediavelmente ligadas ao corpo espiritual. Se intentava matar a sede ou a fome, obrigava-se a cair de bruços porque não dispunha de mãos amigas que o ajudassem.
    Muito tempo suportara semelhante infortúnio, multiplicando apelos e lágrimas, quando foi conduzido por entidade caridosa a pequeno tribunal de socorro, que funcionava de tempos em tempos, nas regiões inferiores onde vivia compungido.
    O benfeitor que desempenhava ali funções de juiz, reunida a assembleia de Espíritos penitentes, declarou não contar com muito tempo, em face das obrigações que o prendiam nos círculos mais altos e que viera até ali somente para liquidar casos mais dolorosos e urgentes.
    Devotados companheiros do bem selecionavam a meia dúzia de sofredores que poderiam ser ouvidos, dentre os quais, por último, figurou Sucupira, a exibir os braços petrificados.
    Chorou, rogou, lamuriou-se. Quando pareceu disposto a fazer o relatório geral e circunstanciado da existência finda, o julgador obtemperou:
    - Não, meu amigo, não trate de sua biografia. O tempo é curto. Vamos ao que interessa.
    Examinou-o detidamente e observou, passados alguns instantes:
    - Sua maravilhosa acuidade mental demonstra que estudou muitíssimo.
    Fez pequeno intervalo e entrou a arguir:
    - Joaquim, você era casado?
    - Sim.
    - Zelava a residência?
    - Minha mulher cuida de tudo.
    - Foi pai?
    - Sim.
    - Cuidava dos filhos em pequeninos?
    - Tínhamos suficiente número de criadas e amas.
    - E quando jovens?
    - Eram naturalmente entregues aos professores.
    - Exerceu alguma profissão útil?
    - Não tinha necessidade de trabalhar para ganhar o pão.
    - Nunca sofreu dor de cabeça pelos amigos?
    - Sempre fugi, receoso, das amizades. Não queria prejudicar, nem ser prejudicado.
    O julgador interrompeu-se, refletiu longamente e prosseguiu:
    - Você adotou alguma religião?
    - Sim, eu era cristão – esclareceu Sucupira.
    - Ajudava os católicos?
    - Não. Detestava os sacerdotes.
    - Cooperava com as Igrejas reformadas?
    - De modo algum. São excessivamente intolerantes.
    - Acompanhava os espíritas?
    - Não. Temia-lhes presença.
    - Amparou doentes, em nome de Cristo?
    - A terra tem numerosos enfermeiros.
    - Auxiliou criancinhas abandonadas?
    - Há creches por toda parte.
    - Escreveu alguma página consoladora?
    - Para quê? O mundo está cheio de livros e escritores.
    - Utilizava o martelo ou o pincel?
    - Absolutamente.
    - Socorreu animais desprotegidos?
    - Não.
    - Agradava-lhe cultivar a terra?
    - Nunca.
    - Plantou árvores benfeitoras?
    - Também não.
    - Dedicou-se ao serviço de condução das águas, protegendo paisagens empobrecidas?
    Sucupira fez um gesto de desdém e informou:
    - Jamais pensei nisto.
    O instrutor indagou-lhe sobre todas as atividades dignas conhecidas no Planeta. Ao fim do interrogatório, opinou sem delongas:
    - Seu caso explica-se: você tem as mãos enferrujadas.
    Ante a careta do interlocutor amargurado, esclareceu:
    - É o talento não usado, meu amigo. Seu remédio é regressar à lição. Repita o curso terrestre.
    Joaquim, confundido, desejava mais amplas elucidações.
    O juiz, porém, sem tempo de ouvi-lo, entregou-o aos cuidados de outro companheiro.
    Rogério, carioca desencarnado, tipo 1945, recebeu-o de semblante amável e feliz, após escutar-lhe compridas lamentações, convidou, pacientemente:
    - Vamos, Sucupira. Você entrará na fila em breves dias.
    - Fila? – interrogou o infeliz, boquiaberto.
    - Sim – acrescentou o alegre ajudante -, na fila da reencarnação.
    E, puxando o paralítico pelos ombros, concluía, sorrindo:
    - O que você precisa, Joaquim é de movimentação…

    Texto extraído da Apostila de Estudo Sistematizado
    da Doutrina Espírita – ESDE – FEB


    Graças, meu Deus!

    13 de março de 2012


    OS TRÊS CRIVOS

    9 de março de 2012

     

    …Certa feita, um homem esbaforido achegou-se a Sócrates e sussurrou-lhe aos ouvidos:
    -Escuta, na condição de teu amigo, tenho alguma coisa muito grave para dizer-te, em particular…
    - Espera!… Ajuntou o sábio prudente. Já passaste o que me vais dizer pelos três crivos?
    -Três crivos?! – perguntou o visitante, espantado.
    - Sim, meu caro amigo, três crivos. Observemos se tua confidência passou por eles. O primeiro é o crivo da verdade. Guardas absoluta certeza, quanto àquilo que pretendes comunicar?
    - Bem, ponderou o interlocutor, assegurar mesmo, não posso… Mas ouvi dizer e… Então…
    - Exato. Decerto peneiraste o assunto pelo segundo crivo, o da bondade. Ainda que não seja real o que julgas saber, será pelo menos bom o que me queres contar?
    Hesitando, o homem replicou:
    - Isso não!… Muito pelo contrário…
    - Ah! – tornou o sábio – então recorramos ao terceiro crivo: o da utilidade, e notemos o proveito do que tanto te aflige.
    - Útil?!… – aduziu o visitante ainda agitado.
    – Útil não é…
    - Bem – rematou o filósofo num sorriso, – se o que tens a confiar não é verdadeiro, nem bom e nem útil, esqueçamos o problema e não te preocupes com ele, já que nada valem casos sem edificações para nós…
    Aí está meu amigo, a lição de Sócrates, em questões de maledicência…

    Irmão X
    Página recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier,
    extraído do livro “Aulas da Vida”


    O DIA INTERNACIONAL DA MULHER ESPÍRITA

    8 de março de 2012

     

    No momento em que se comemora a 8 de março O DIA INTERNACIONAL DA MULHER, o jornal Verdade e Luz cumprimenta a todas as mulheres que, de uma forma ou de outra, têm contribuído com o progresso moral da Humanidade.

    O Espírito, criado simples e ignorante, liga-se ao elemento material para desenvolver todo o seu potencial intelectual e moral, a fim de vir a ser Espírito puro, como demonstrou ser o Mestre Jesus, quando veio viver na Terra.

    Assim, o homem e a mulher, Espíritos aperfeiçoando-se, recebem do elemento material a forma física, com todas as suas características, necessidades ao seu desenvolvimento.

    Então, a mulher, tanto quanto o homem, tem a mesma importância e as possibilidades no processo evolutivo da humanidade e da Terra.

    A mulher espírita, assim compreendendo, assume a sua responsabilidade na família, na vida profissional e nas atividades de estudo e divulgação da doutrina espírita, não buscando imitar os homens, ou competir com eles, mas, trabalhando ao lado deles, na tarefa de melhorar este mundo, doando do que tem.

    Vê-se assim, a francesa Amèlie-Gabrielle Boudet, apoiando seu esposo Allan Kardec, enfrentando preconceitos, dificuldades financeiras, acompanhando-o nas viagens, trabalhando com ele, e após seu desencarne, assumindo suas responsabilidades, comparecendo até no tribunal de justiça em defesa do Espiritismo.

    Vê-se também a espanhola Amália Domingo y Soler, “a Grã-Senhora do Espiritismo”, como a chamou o escritor argentino César Bogo, que dedicou sua vida a divulgar o Espiritismo, na Espanha, através da imprensa, lutando sempre com enfermidades, principalmente com a cegueira, e debatendo com os contrários da nova doutrina.

    Assim também, a brasileira Anália Franco, emérita educadora, não mediu esforços para desenvolver e concretizar seus projetos na construção de casas-lares para as crianças desamparadas. Sua ação não se limitou ao meio espírita, porquanto, como educadora tornou-se respeitada e admirada por autoridades públicas e religiosas, em uma época de ferrenhos ataques ao Espiritismo.

    Sem a presença da mulher na Terra, o homem careceria de exemplos concretos de sensibilidade humana em alto grau de expressão.

    Fonte:
    Jornal Verdade e Luz.