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    Sobre o Carnaval

    17 de fevereiro de 2012

     

    Emanuel, Psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier

    Nenhum espírito equilibrado em face do bom senso, que deve presidir a existência das criaturas, pode fazer apologia da loucura generalizada que adormece as consciências nas festas carnavalescas. É lamentável que na época atual, quando os conhecimentos novos felicitam a mentalidade humana, fornecendo-lhe a chave maravilhosa dos seus elevados destinos, descerrando-lhe as belezas e os objetivos sagrados da Vida, se verifiquem excessos dessa natureza entre as sociedades que se pavoneiam com os títulos de civilização.
    Enquanto os trabalhos e as dores abençoadas, geralmente incompreendidas pelos homens, lhes burilam o caráter e os sentimentos, prodigalizando-lhes os benefícios inapreciáveis do progresso espiritual, a licenciosidade desses dias prejudiciais opera, nas almas indecisas e necessitadas do amparo moral dos outros espíritos mais esclarecidos, a revivescência de animalidades que só os longos aprendizados fazem desaparecer.
    Há nesses momentos de indisciplina sentimental o largo acesso das forças das trevas nos corações e, às vezes, toda uma existência não basta para realizar os reparos precisos de uma hora de insânia e de esquecimento do dever.
    É estranho que as administrações e elementos de governos colaborem para que se intensifique a longa série de lastimáveis desvios de espíritos fracos, cujo caráter ainda aguarda a toque miraculoso da dor para aprender as grandes verdades da vida.
    Enquanto há miseráveis que estendem as mãos súplices, cheios de necessidades e de fome, sobram as fartas contribuições para que os salões se enfeitem e se acentue o olvido de obrigações sagradas por parte das almas cuja evolução depende do cumprimento austero dos deveres sociais e divinos.
    Ação altamente meritória seria a de empregar todas as verbas consumidas em semelhantes festejos na assistência social aos necessitados de um pão e de um carinho. Ao lado dos mascarados da pseudo-alegria, passam os leprosos, os cegos, as crianças abandonadas, as mãos aflitas e sofredoras. Por que protelar essa ação necessária das forças conjuntas dos que se preocupam com os problemas nobres da vida, a fim de que se transforme o supérfluo na migalha abençoada de pão e de carinho que será a esperança dos que choram e sofrem? Que os nossos irmãos espíritas compreendam semelhantes objetivos de nossas despretensiosas opiniões, colaborando conosco, dentro de suas possibilidades, para que possamos reconstituir e reedificar os costumes para o bem de todas as almas.
    É incontestável que a sociedade pode, com seu livre arbítrio coletivo, exibir superfluidades e luxos nababescos, mas, enquanto houver um mendigo abandonado junto de seu fastígio e de sua grandeza, ela só poderá fornecer com isso um eloqüente atestado de sua miséria moral.

    (Texto retirado do Boletim Informativo “A Voz do Caminho”
    Vitória-ES, Fevereiro, 1996, pág. 2)


    COMPORTAMENTO

    16 de fevereiro de 2012

     

    Exterioriza-se o mundo mental – suas aspirações, conflitos, necessidades – no comportamento do indivíduo, definindo-lhe a estrutura moral e o nível de discernimento de consciência.
    Quando ele estagia nas faixas mais primárias da evolução, suas paixões se apresentam brutais, imediatistas desenvolvendo reações agressivas, manifestações egoísticas e perturbadoras para o grupo social, no qual se encontra situado.
    À medida que a educação e a experiência – sofrimentos inesperados, lutas para a aquisição do equilíbrio, constatação da própria fragilidade – trabalham-no, altera-se-lhe o programa de anelos, adaptando-se melhor ao segmento da sociedade em que se movimenta, desenvolvendo as aptidões latentes que o impelem para o ideal de beleza, de crescimento íntimo, de auto-realização.
    No comportamento se manifestam a sua realidade intelecto-moral e o seu correspondente nível de saúde, física e mental.
    Ninguém consegue identificar-se com a iluminação, não estando disposto ao esforço por educar-se, comportando-se com equilíbrio diante das circunstâncias que defronta no processo social, assim como nos fenômenos e ocorrências pessoais.
    Na complexidade de tais realizações a interação mente-corpo, espírito-matéria é inalienável.
    O corpo reflete os comportamentos mentais, somatizando os conflitos, que lhe perturbam a harmonia, quando as construções psíquicas se irradiam carregadas de pessimismo, de vibrações inferiores e tóxicas…
    Os tecidos celulares reagem conforme as ondas mentais que os visitam, agredindo-os ou conciliando-os.
    Desse modo, as idéias superiores sustentadas pela mente produzem correspondentes efeitos no corpo, estimulando as células à manutenção da ordem, vitalizando-as para o processo da mitose saudável.
    Além do departamento muito complexo da organização física e psíquica, o cérebro é uma valiosa glândula que secreta substâncias essenciais à manutenção dos equipamentos que constituem o corpo, mantendo-o ou desorganizando-o.
    Graças às endorfinas que produz, muitas dores são atenuadas, propiciando a manutenção do nível do bem-estar no indivíduo.
    Diversas enzimas outras são produzidas, desenvolvidas e distribuídas pelos numerosos equipamentos orgânicos, cooperando para sua conservação e renovação ou desconcerto e desarmonia.
    As pessoas irascíveis, realistas-fatalistas, que conduzem azedumes e pessimismo, assinaladas pelas constantes mudanças de humor, produzem as enzimas perniciosas, que irão abrir campo para a invasão orgânica pelos elementos microbianos destrutivos.
    Ao inverso, aquelas que elaboram pensamentos otimistas, confiantes, alegres, solidários, estimulam o sistema psiconeuroimunológico, tornando-se resistente às viroses e baciloses degenerativas. E mesmo quando são vitimadas por enfermidades dessa procedência, recompõem as defesas orgânicas e restauram a saúde.
    O espírito conduz o corpo através de vibrações delicadas que sustentam as células, mantendo-as em ritmo harmônico ou desgastante conforme as ondas mentais que irradia.
    Para que o comportamento alcance o ponto ideal, que faculta resultados felizes é indispensável o cultivo dos pensamentos edificantes, propiciadores da disciplina interior, através da qual se exteriorizam em hábitos equilibrados, fomentadores de saúde, de alegria de viver.
    Nesse sentido, as insubstituíveis lições de Jesus – Cristo constituem diretrizes de segurança, que devem ser insculpidas na mente, deixando-as irradiar-se em sucessivas ondas de amor, que vitalizam o homem e a mulher, espraiando-se em direção do seu próximo, em forma de transação psicológica de alto nível, tornando-se o comportamento ideal que os promoverá à condição de pessoas realmente felizes.
    O comportamento, dessa forma, define a pessoa que, vigilante e lúcida, deve trabalhar-se sem cessar até alcançar a realização interior em perfeita identificação com as demais criaturas.

    Joanna de Ângelis

    Página psicografada pelo médium Divaldo P. Franco, em 13/03/95,
    no Centro Espírita Caminho da Redenção – Salvador – BA


    MELINDRE: FILHO DILETO DO ORGULHO

    15 de fevereiro de 2012

     

    “Caríssimos! Existe uma erva daninha que permeia vossas ações e se encontra incrustada dentro dos agrupamentos espíritas: chama-se orgulho. Esta pedra de tropeço é o que tem levado muitos dos bons médiuns a resvalar pelos caminhos do ócio e da desesperança, pois ao se entregar a este sentimento tão pernicioso, logo caem presos dos maus Espíritos e certamente o resultado é a obsessão tenaz, que se instala lentamente.

    Observai a maneira pela qual vos comportais em vossas atividades medianímicas. Sabeis que, no serviço da mediunidade, estais desempenhando um papel de intermediário entre os dois mundos e embora emprestando também vossos sentimentos e saber intelectual, é trabalho do mundo espiritual trazer através de vós as palavras que instruem, consolam, alertam e educam as criaturas.

    Falo para os médiuns, pois é neles que se centra a maior parte das perturbações existentes nos núcleos espíritas. Por deterem o dom do intercâmbio, dado por Deus, sentem-se prontos para desempenhar a tarefa sem a salutar necessidade do estudo. Resistem à disciplina por inspiração de Espíritos atrasados que conduzem seus pensamentos. Na maioria das vezes, ditam as regras das casas espíritas, inspirados por esses mesmos irmãos infelizes, que se comprazem em manter a casa sob o manto do atraso, da fantasia, da hipocrisia e da desordem.

    Irmãos espíritas! Livrai-vos do melindre, praga venenosa que corrói grande parte dos núcleos. O melindre, como sabeis, é filho dileto do orgulho e se bem soubessem, esses que o cultivam, a grande nuvem de perturbação que os envolvem cada vez que sintonizam nessa faixa, bem depressa cuidariam de extirpar esse mal de dentro de si. É o melindre o principal entrave a que os núcleos se organizem de forma a produzir mais e melhor. É o melindre o impedimento para que os homens cresçam, pois ele obstrui o saber na medida em que endereça o melindrado ao entendimento de que todos os esforços de organização das casas espíritas são falta de caridade.

    O filho do orgulho não permite que o homem anteveja sua condição de necessitado, sua condição de aprendiz. Jamais um melindrado pode ser um servo do Senhor, pois a condição fundamental para tal posição é a humildade e desta virtude ele é um grande carente. O orgulhoso que se diz servo de Jesus, o faz com o sentimento de falsa humildade, buscando para si o reconhecimento por ser “bom” e “sábio”, colocando-se antes como mestre. Pode-se bem reconhecê-los pela extrema dificuldade que encontram em adaptar-se às normas que disciplinam a casa espírita. Geralmente estão sob o império da obsessão e não se apercebem disso. Se alguém identifica e tenta auxiliar, o resultado é catastrófico.

    Grande tristeza é constatar a imensa falta que faz o entendimento pleno da doutrina de Jesus dentro dos núcleos espíritas. O Espiritismo veio ao mundo para auxiliar o homem no entendimento das coisas de Deus, esclarecendo pontos obscuros da mensagem divina. Infelizmente, grande parte dos núcleos executam uma doutrina de superficialidade, inócua para o progresso do Espírito imortal e se acham presos de uma mentalidade que mais serve aos propósitos do mundo que aos desígnios de Deus.

    E vós, medianeiros espíritas, meditai acerca das responsabilidades assumidas diante do Alto. Deixai de lado a tola vaidade e o descabido orgulho que mancham vossas ações com atitudes de melindre, que interrompem vosso progresso. O amadurecimento espiritual terá que ser meta a perseguir na senda da vida. Sede, portanto, vigilantes na conduta, pensamento e acima de tudo, no testemunho diário na convivência entre os vossos pares. Saber servir é sabedoria. Que Deus vos abençoe” – Um Espírito Protetor.

    Espírito: Um Espírito Protetor
    Sociedade de Estudos Espíritas Allan Kardec
    São Luís, MA


    Mocidade e Evolução

    14 de fevereiro de 2012

     

    Quanto aos moços, de igual modo, exorta-os para que,
    em todas as coisas, sejam criteriosos.

    Delineamos, anteriormente, o clima de incertezas em que vivemos, reafirmando, assim, a Terra, a sua humilde condição de orbe expiatório e regenerativo.
    De mundo atrasado, onde almas falidas resgatam velhas promissórias, acrescidas, via de regra, de pesados juros.
    O desajuste universal; o clima saturado de vibrações inferiores; a tendência ao negativismo; tudo isso aí se encontra, iniludível e concreto, convocando os homens de boa vontade para as alegrias da tarefa nobre, do serviço edificante.
    Façamos, pois, de Jesus, o depositário infalível de nossas esperanças, o Guia Real da Humanidade, o Orientador por excelência.
    Paulo de Tarso, escrevendo a Tito, orienta-o no sentido da preparação dos moços para as tarefas do Evangelho, estimulando-os à conduta criteriosa “em todas as coisas”.
    Para as criaturas experimentadas nos infatigáveis labores de uma existência digna, e, de modo particular, para os moços, é oportuna a exortação do apóstolo.
    Os que renascem, agora, enfrentando novas lutas e tarefas, defrontando-se com um mundo realmente adverso, estão sendo convocados para os divinos empreendimentos da evolução, que exigem, de fato, critério e firmeza.
    O campo de trabalho desdobra-se em novas e sublimes atividades, propulsoras naturais do progresso e do aperfeiçoamento moral dos povos, concitando os idealistas aos labores santificantes.
    Na luta em prol da evolução, impõe-se o congraçamento dos valores espirituais da juventude, à luz dos ensinos do Cristianismo Redivivo.
    Faz-se mister, do Oriente ao Ocidente, o conjugamento de todas as energias morais, a fim de que seja mantido o edifício evangélico, levantado no solo palestinense à custa de suor, sangue e lágrimas.
    E’ indispensável à preservação das magníficas conquistas que uma parcela da Humanidade guarda no sagrado escrínio dos seus mais fecundos labores.
    O momento, pois, é de luta pelo aprimoramento.
    A hora é de trabalho.
    A evolução é indeclinável imperativo.
    “A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos” – assevera o Mestre.

    * * *

    A mocidade tem que reservar, no seu coração, um lugar para a Mensagem do Cristo.
    Tem que se nutrir dessa Mensagem, viver dessa Mensagem, aperfeiçoar-se em função dessa Mensagem sublime e eterna.
    Somente o Evangelho do Senhor tem o poder de renovar o homem que se desviou, a sociedade que se extraviou, o mundo que perdeu o equilíbrio.
    Ele é o fundamento da Ordem e do Progresso.
    O Evangelho é Amor – na sua mais elevada expressão.
    Amor que unifica e constrói para a Eternidade.
    Amor que assegura a perpetuidade de todos os fenômenos evolutivos.
    E o Cristo recomendou, suavemente: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei.”
    Seríamos reconhecidos por discípulos Seus, pelo amor que ofertássemos aos companheiros de romagem.

    * * *

    Somente o Evangelho aproximará os homens, porque ele é Caridade.
    E a Caridade é mansa e pacífica.
    Não humilha.
    E’ paciente.
    Não guerreia, porque perdoa setenta vezes sete.
    O Cristo, Mestre e Senhor, avisou-nos de que a cada um será dado na razão direta das obras praticadas.
    Allan Kardec – o Insigne Missionário –recordou a advertência do Mestre dos mestres com a legenda sublime: “Fora da caridade não há salvação.”
    Somente o Evangelho, sentido e praticado, evitará as lutas, o morticínio entre irmãos, porque da árvore do Evangelho vicejam os sentimentos do Amor e os frutos do perdão incondicional.
    A Boa Nova é o fundamento da evolução e o campo de trabalho ideal para a mocidade.
    Evolução com a mocidade e mocidade para a evolução.
    Quem ama, com o Evangelho – perdoa sempre.
    Quem perdoa, com o Evangelho – esquece ofensas.
    Quem esquece ofensas, sob a inspiração do Evangelho – confraterniza com todos.
    Quem confraterniza com todos, à sombra acolhedora do Evangelho – aplaina dificuldades, remove obstáculos.
    Quem aplaina dificuldades consolida, para a Eternidade, no Tempo e no Espaço, os fundamentos da evolução com Jesus.

     

    Martins Peralva

    Extraído do livro Estudando o Evangelho – À Luz do Espiritismo – 2º ed. FEB

     


    DEPRESSÃO

    13 de fevereiro de 2012

     

    A depressão tem a sua gênese no Espírito, que reencarna com alta dose de culpa, quando renteando no processo da evolução sob fatores negativos que lhe assinalam a marcha e de que não se resolveu por liberar-se em definitivo.
    Com a consciência culpada, sofrendo os gravames que lhe dilaceram a alegria íntima, imprime nas células os elementos que as desconectam, propiciando, em largo prazo, o desencadeamento dessa psicose que domina uma centena de milhões de criaturas na atualidade.


    Se desejarmos examinar as causas psicológicas, genéticas e orgânicas, bem estudadas pelas ciências que se encarregam de penetrar o problema, temos que levar em conta o Espírito imortal, gerador dos quadros emocionais e físicos de que necessita, para crescer na direção de Deus.


    A depressão instala-se, a pouco e pouco, porque as correntes psíquicas desconexas que a desencadeiam, desarticulam, vagarosamente, o equilíbrio mental.


    Quando irrompe, exteriorizando-se, dominadora, suas raízes estão fixadas nos painéis da alma rebelde ou receosa de prosseguir nos compromissos redentores abraçados.
    Face as suas cáusticas manifestações, a terapia de emergência faz-se imprescindível, embora, os métodos acadêmicos vigentes, pura e simplesmente, não sejam suficientes para erradicá-la.


    Permanecendo as ocorrências psicossociais, sócio-econômicas, psico-afetivas, que produzem a ansiedade, certamente se repetirão os distúrbios no comportamento do indivíduo conduzindo a novos estados depressivos.


    Abre-te ao amor e combaterás as ocorrências depressivas, movimentando-te em paz na área da afetividade com o pensamento em Deus.
    Evita a hora vazia e resguarda-te da sofreguidão pelo excesso de trabalho.
    Adestra-te, mentalmente, na resignação diante do que te ocorra de desagradável e não possas mudar.
    Quando sitiado pela idéia depressiva alarga o campo de raciocínio e combate o pensamento pessimista.
    Açodado pelas reminiscências perniciosas, de contornos imprecisos, sobrepõe as aspirações da luta e age, vencendo o cansaço.


    Quem se habilita na ação bem conduzida e dirige o raciocínio com equilíbrio, não tomba nas redes bem urdidas da depressão.
    Toda vez que uma idéia prejudicial intentar espraiar-se nas telas do pensamento obnubilando-te a razão, recorre à prece e à polivalência de conceitos, impedindo-lhe a fixação.


    Agradecendo a Deus a benção do renascimento na carne, conscientiza-te da sua utilidade e significação superior, combatendo os receios do passado espiritual, os mecanismos insconscientes de culpa, e produze com alegria.
    Recebendo ou não tratamento especializado sob a orientação de algum facultativo, aprofunda a terapia espiritual e reage, compreendendo que todos os males que infelicitam o homem procedem do Espírito que ele é, no qual se encontram estruturadas as conquistas e as quedas, no largo mecanismo da evolução inevitável.

    Joanna de Ângelis
    extraído do livro “Receitas de Paz”- Divaldo Pereira Franco